segunda-feira, 9 de abril de 2018

Nova Santa Rita, 09/04/2018

A vida bem que podia ser aqueles filmes americanos. Tudo o que importa na vida é a roupa que vai vestir amanhã, se o cabelo ta bonito, onde vamos almoçar amanhã.
Acontece que esse imaginário que nos é passado é muito diferente do que vivemos. Na vida real, pensamos em como vamos pagar as contas do mês, como vamos arrumar outro emprego, que tipo de carreira quero continuar levando, como alugar um apartamento sem precisar de um fiador.
São poucos os momentos de tranquilidade, pois ou estamos pensando em muitas coisas ao mesmo tempo, ou ficamos com os olhos parados olhando para o nada, e a depressão toma conta. 
Tem vezes que é melhor falar sobre, tirar do nosso sistema. Tem dias que não adianta falar, pois parece que ninguém nunca vai entender o que estamos passando. 
A gente se refugia em maquiagens, Netflix, Youtube. Olhar a Carrie Bradshaw nos faz pensar que a vida um dia vai ser daquele jeito, que vamos simplesmente sentar no nosso apartamento de frente pra janela com uma taça de vinho na mão e olhando o por do sol. Morar em NYC e poder ir fazer compras, andar pra lá e pra cá num clic-clac de saltos altos e sandálias de tiras muito finas, como se fosse possível passar o dia todo assim, todos os dias.
O que as séries e os filmes vendem está longe de ser um reflexo do nosso próprio futuro, porém, somos crescidos já, we should know better.
Trate de estudar e arranjar um emprego, eles dizem quando a gente cresce. A vida não ensina com tanto amor, outros dizem.
E estão certos, pois a vida mostra tudo o que poderíamos ter, mas que provavelmente não teremos.
Seis amigos que se encontram todos os dias, seja pra tomar café, seja para conversar um com o outro. Na vida real, mal conseguimos conciliar agenda para ver um amigo apenas, é necessário encontrar espaço entre trabalho/faculdade/namorados.

Toda essa farsa, se te pega com muito tempo livre pra pensar, acaba te entristecendo. Você foge mais e mais pra dentro da tela daquela história de certos nova-iorquinos que tem uma vida bem melhor que a sua, e não tem vergonha de esfrega-la na sua cara.

Tudo isso me leva a pergunta: pra que? O que realmente estamos fazendo da vida? Consumindo-nos nessa espiral de wannabes baseando-se na vida de pessoas que nem existem. 

Isso tudo pensado em Nova Santa Rita, nove de abril de dois mil e dezoito.

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